Pular para o conteúdo principal

A volta

Eu pensei que fosse cair no choro na minha despedida, não aconteceu. Depois achei que fosse cair no choro quando o avião decolou e não aconteceu. Chorei sim, mas aquele choro manso, curto, quando quase as lagrimas não caem. Um choro mais de saudade do que de tristeza por estar voltando. Eu não sei se não era real ou se simplesmente entendi que meu tempo havia vencido e era hora de voltar e recomeçar.

O choro maior aconteceu na minha ultima caminhada na praia. Naquele momento percebi que seria a ultima vez que faria aquilo, que veria Rangitoto (uma ilha vulcânica) e que eu estava indo embora. Ali eu comecei a chorar. Por mais que eu soubesse que voltar era a melhor opcao (espero que eu esteja certa), saber que tudo aquilo seria passado e memorias me fez chorar.

Estava voltando sem conseguir tudo o que eu queria, mas eu fiz ate um pouco mais do que pretendia. Conheci Queenstown. Uma cidade linda, parece que foi desenhada. Fiz jetboat, um passeio num barco em alta velocidade, numa linda paisagem. E tive a experiência em viajar de mochila. Finalmente uma mochila comprada no ano passado pode ser usada com o proposito certo.

Depois disso fui para Sydney. Outra mega experiência, desta vez fazendo couchsurfing. Tive sorte, porque o meu anfitrião foi realmente anfitrião. Fez tudo o que eu estava a fim de fazer e deu um jeito de descobrir como chegava em todos os lugares. Foram duas viagens curtas, mas que me deram a chance de conhecer lugares lindos e rever meus conceitos com relacao a Nova Zelândia.

Pode parecer irônico, mas foi quando estava em Queenstown que percebi como o pais e pequeno. E comecei a ver que era pequeno para mim também. Por mais que eu goste de la, eles vivem do turismo, comercio, e agricultura. Tem empresas boas? Sim. Mas se ate para o kiwi e complicado, imagina para o imigrante? E acho que foi exatamente nesta viagem que comecei a ver que sair da Nova Zelândia não parecia ser tao ruim assim.

Foi então que cheguei a Sydney. Eu parecia uma menina da roca que chegou na cidade grande. Tinha gente nas ruas, os shoppings eram enormes. O trem com 3 andares. As lojas abertas ate mais tarde. Ate uma pequena cidade nos arredores tinha mais movimento que Auckland. E ai constatei, se quiser crescer profissionalmente, o pais não e a Nova Zelândia. Se quiser ter uma vida tranquila e pacata sim.

Eu me acostumei com a vida pacata de la e com a qualidade de vida também. E eu precisei ir para o pais vizinho para me dar conta disso. A volta foi tao corrida, que deixei coisas que não deveria ter deixado, não tive tempo de organizar minhas coisas para a entrada da nova moradora do meu quarto. E para ser honesta, eu nem tinha nocao do que estava dentro de cada mala. Se eu tivesse mala extraviada, nem saberia o que estava nela.  Tinha tanta coisa, que fui alocando nas malas de acordo com a necessidade.

Dois anos resultaram em quatro malas, uma mochila e uma mala de mão. Preço para traze-las: NZD 545, o equivalente a quase R$ 900. Mas o que mais pesou não foi o valor, foi o peso delas mesmo: 31kg, 24 kg, 20 kg, e 19kg. Fora o que estava como bagagem de mão, mais ou menos uns 13kg. Resultado, muita dor e roxo nos bracos.

Já tem uma semana que estou de volta ao Brasil. Passei dormindo a maior parte do tempo. E ainda fico acordada de noite. Converso mais com as pessoas na Nova Zelândia do que aqui na minha cidade. Preciso de foco e determinacao para seguir em frente e concretizar um dos meus sonhos de infância. E o mais engraçado, chorei mais hoje lembrando dos motivos que me levaram a ir, do que quando voltei. Comecei meu livro e não vai ser fácil, mas vou seguir em frente. A única coisa que tenho certeza e a de que preciso de um emprego rápido, porque senão vou me arrepender amargamente de não ter ficado la mais um mês e tentado mais um pouco.

Ate a próxima!
P.S.: Desculpa mas meu teclado novo não tem certos acentos. Preciso aprender a fazer isso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sorte

Tenho que me considerar uma pessoa de sorte. Apesar de todos os contratempos que aconteceram desde a minha última semana antes de viajar para o Brasil, o conturbado trajeto, mais o curto período para fazer milhares de coisas e  voltar as coisas estão começando a entrar nos eixos. Assim eu espero. Chegar na Nova Zelândia sem ter um lugar para ficar foi realmente duro para mim. Tive teto, carinho e umas boas risadas, mas saber que você não tem seu lugar me deixou realmente sem chão. Com isso me mudei para onde estou agora antes mesmo de conseguir o carro e gastei fortuna e tempo em ônibus. O que também foi não foi ruim, mas melhor não gastar. A nova casa também é temporária. Então ainda não me sinto muito a vontade por aqui. O bom é que estou morando com pessoas lindas e divertidas que estão me provocando várias gargalhadas. E com isso sou obrigada a dizer que sou uma mulher de sorte. Não tem preço morar com pessoas queridas. Mas já estou me preparando para a hora de pa...

Dias de Sol - South Beach

O voo da Itália para os Estados Unidos foi tranquilo. Dormi praticamente o tempo todo. Eu estava exausta. O lado bom é que o corpo estava cansado, mas a cabeça e o espirito estavam em paz. O pouso na Filadélfia foi o melhor pouso que já vi na vida. O avião tocou o solo sem que eu percebesse que já estávamos ali. O meu próximo destino: Miami. Passar na imigração foi bem mais rápido do que na ida. Sem filas, tranquilo. Fiquei feliz. Mas a mala demorou a chegar e com isto peguei uma fila enorme para passar no raio x. Pronto, meu tempo de conexão que parecia tranquilo, acabou não me dando tempo para nada. Já cheguei no portão embarcando. Fiquei impressionada com a educação dos policiais e do crew do aeroporto e American Airlines no aeroporto da Filadélfia (não tive boa impressão em Miami). Eu tentando encontrar o meu portão e pedi ajuda a um policial, que saiu de trás da mesa dele e foi até o painel para me orientar e me deu a direção certinha. Uma outra coisa que aprendi, ao viajar p...

A caminho de Roma

Estou ultra mega blaster cansada. Mas estou feliz na mesma proporção. Cheguei em Roma. Mas o caminho já valeu caso para contar por anos. Escolhi o caminho mais curto (sendo extremamente irônica), via Estados Unidos. Tinha previsão de 30 horas de viagem, sem contar o tempo de antecedência que precisamos chegar ao aeroporto e até o hotel. Mas já estou acostumada a isto. A viagem começou pelo aeroporto de Confins, que por sinal mereceu vários elogios. A reforma ficou excelente. E tem a vantagem de não ser tão movimentado quanto Guarulhos. A viagem para Miami foi tranquila e bem rápida. Fiquei decepcionadíssima com a aeronave. Mas como viajei sozinha, pude esticar os braços e ler muito. Já em Miami, o aeroporto me surpreendeu. Eu acostumada com Oceania e sul americanos, quase tive um troço quando vi que tinha que pegar um tram para passar pela imigração. Como tinha dormido no voo, neste momento ainda estava animada. Ainda tinha pouca coisa aberta, então resolvi andar para conhecer...