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Conversa de motorista

Uma forma de se locomover em Miami é usando o Uber. Super em conta, inclusive para o aeroporto. E nas poucas vezes que usei, tive a oportunidade de ter conversas interessantes. Mas antes vale dizer: se você deseja ir aos Estados Unidos praticar o seu inglês, Miami definitivamente não é a melhor opção. O espanhol predomina na cidade e é incrível como tem muita gente nas próprias lojas que não domina a língua. Se fica sabendo que somos brasileiros, o espanhol torna-se o idioma principal.

Duas conversas que me marcaram muito foi com um venezuelano e um cubano. Fiquei impressionada como as pessoas preferem se aventurar por lá a continuar nos seus países. Não entrei na seara da legalidade, mas o que entendi é que se não tiver medo de trabalhar, a pessoa se sente muito mais feliz por lá.

O venezuelano me confidenciou que trabalha muito, que a carga horária de trabalho para conseguir viver razoável lá precisa ser muito grande, mas que mesmo assim compensa, pois na Venezuela não teria as mesmas condições de vida. E ainda me deu um alerta: vocês devem lutar pelo seu país agora, antes que ele se torne uma Venezuela. Fiquei pensando muito no que ele disse, e o mais triste é que nós, brasileiros, não lutamos, estamos tão divididos, que parece que não existe mais o que é bom para o Brasil, e sim o que é de direita ou de esquerda, quem é coxinha ou mortadela.

Já a conversa com o cubano bem simpático foi para outros caminhos, mas também me mostrou uma Cuba um pouco diferente do que eu imaginava, talvez por pura ignorância minha. Já tem muitos anos que vive nos Estados Unidos, e parece já estar bem estabilizado. Nossa conversa foi de Trump a Fidel, passando pelas poucas horas de voo até Cuba e as aproximadamente 7 horas que iria enfrentar em poucas horas, que para ele era um absurdo.

Na conversa, descobri que não sou só eu que tenho medo do Trump e uma Terceira Guerra Mundial. Na verdade, ninguém sabe muito o que vai acontecer ou o que vem da cabeça dele. O socialismo em Cuba pode ter oferecido educação, mas a população passa fome. Ele me disse que sempre que vai visitar os parentes, compra muita carne e faz um farto almoço, que todos comem desesperados e achando ótimo, pois não estão acostumados a fartura e não sabem quando irão comer de novo. Ou seja, socialismo não é sinônimo de igualdade para todos. Os detentores do poder têm acesso a tudo e o povo continua sofrendo da mesma forma. Será que o capitalismo é tão ruim assim? Ele não daria condições iguais de todos lutarem por melhores condições de vida?

Mas como aqui é um blog de viagem, não vou me estender neste assunto. Somente achei interessante estas conversas. Não sei como é o restante dos Estados Unidos, mas definitivamente, Miami é feita de imigrantes. E até onde isto é ruim para um país?

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